quinta-feira, novembro 01, 2007
domingo, outubro 07, 2007
sábado, outubro 06, 2007
terça-feira, setembro 25, 2007
quarta-feira, setembro 19, 2007
ENSAIO
O Deus que Morre em Nietzsche
Se ainda assim, digo, mesmo depois das abaladas estruturas da morte como redenção no pensamento ocidental moderno, olhar o outro significa criterização de um julgamento à revelia, então, que se fechem além das pálpebras todos os terminais que operem sentido e se venere o Deus dos exércitos, das ladainhas e a igualdade justificará cada conselho em nome do bem. Esse Deus que morre em Nietzsche, permanece insepulto no beiral das religiões que arrebanham, sob a moral de discurso, para cultos a um ícone apodrecido mas fiel, omisso e injusto que ditou aos escolhidos uma cartilha de como se comportar nessa, e, até, numa outra vida. Por vias dessa dialética do bem e do mal, que, no mínimo, seja o mal o que se faz para que o outro não se faça legítimo e adote impressões como verdade.
Pensar em Deus, além de qualquer dialética, é pensar na linguagem da vida, no vivo que evidenciou o humano das experiências moleculares à emoção da arte. Trata-se de si com o outro que de si, também, estabelece o devir que advém da projeção na coerência que se fez dos gestos na rede que se pontua pela conservação e melhoria de condição da vida. Da condição que se repare em função de cada outro condizente consigo no âmbito, pelo menos, de sua ontogenia. Aí, quem sabe, o renascimento Dele ocorra mesmo que nos estertores da fé, onde se julgou o ato mais vil, onde a noção de individualidade não passe de um estilete na mão. Viver em Deus, talvez seja o pensamento que reconheça na linguagem a dimensão da existência humana em cada trajetória legítima e legitimadora no respeito ao outro.
O Deus que morre em Nietzsche é o vigia, o preconceituoso, o juiz de uma verdade esfolada a cada indagação do espírito e assim detida como prova de pecado. Nessa morte, também, de certa forma, se prenuncia a morte do humano que materializou-se entre datas e isolou-se da natureza em nome desse deus que se revela nos templos e que sente asco ao se aproximar confortavelmente, com seu escolhido, de um beco fedorento. Morre a entidade que discrimina ao permitir desenlace de inocentes em face de bandidos, o dono do céu que fugiu o Menino Jesus de Alberto Caeiro, em O Guardador de Rebanhos. Morre, enfim, o intransigente salvador que habita corações mesquinhos e os amolece sob discursos estruturados com vistas a um fim maquiavélico que justifique qualquer ação do estado.
Roberto Bittencourt
Se ainda assim, digo, mesmo depois das abaladas estruturas da morte como redenção no pensamento ocidental moderno, olhar o outro significa criterização de um julgamento à revelia, então, que se fechem além das pálpebras todos os terminais que operem sentido e se venere o Deus dos exércitos, das ladainhas e a igualdade justificará cada conselho em nome do bem. Esse Deus que morre em Nietzsche, permanece insepulto no beiral das religiões que arrebanham, sob a moral de discurso, para cultos a um ícone apodrecido mas fiel, omisso e injusto que ditou aos escolhidos uma cartilha de como se comportar nessa, e, até, numa outra vida. Por vias dessa dialética do bem e do mal, que, no mínimo, seja o mal o que se faz para que o outro não se faça legítimo e adote impressões como verdade.
Pensar em Deus, além de qualquer dialética, é pensar na linguagem da vida, no vivo que evidenciou o humano das experiências moleculares à emoção da arte. Trata-se de si com o outro que de si, também, estabelece o devir que advém da projeção na coerência que se fez dos gestos na rede que se pontua pela conservação e melhoria de condição da vida. Da condição que se repare em função de cada outro condizente consigo no âmbito, pelo menos, de sua ontogenia. Aí, quem sabe, o renascimento Dele ocorra mesmo que nos estertores da fé, onde se julgou o ato mais vil, onde a noção de individualidade não passe de um estilete na mão. Viver em Deus, talvez seja o pensamento que reconheça na linguagem a dimensão da existência humana em cada trajetória legítima e legitimadora no respeito ao outro.
O Deus que morre em Nietzsche é o vigia, o preconceituoso, o juiz de uma verdade esfolada a cada indagação do espírito e assim detida como prova de pecado. Nessa morte, também, de certa forma, se prenuncia a morte do humano que materializou-se entre datas e isolou-se da natureza em nome desse deus que se revela nos templos e que sente asco ao se aproximar confortavelmente, com seu escolhido, de um beco fedorento. Morre a entidade que discrimina ao permitir desenlace de inocentes em face de bandidos, o dono do céu que fugiu o Menino Jesus de Alberto Caeiro, em O Guardador de Rebanhos. Morre, enfim, o intransigente salvador que habita corações mesquinhos e os amolece sob discursos estruturados com vistas a um fim maquiavélico que justifique qualquer ação do estado.
Roberto Bittencourt
segunda-feira, setembro 10, 2007
terça-feira, setembro 04, 2007
segunda-feira, setembro 03, 2007
quinta-feira, agosto 30, 2007
quinta-feira, agosto 23, 2007
quarta-feira, agosto 22, 2007
sexta-feira, julho 27, 2007
segunda-feira, julho 23, 2007
segunda-feira, julho 16, 2007
quarta-feira, julho 11, 2007
segunda-feira, julho 09, 2007
quarta-feira, julho 04, 2007
quarta-feira, junho 27, 2007
sexta-feira, junho 22, 2007
ENSAIO
Sociedade do controle. Aéreo.
Umas três da matina, final de maio, toca o telefone. Levanto, puro pavor, ‘um frio dos inferno’, como diria Gilbertão, casa de madeira, vou até a sala, que, pra mim, celular é coisa de que não preciso e também não sou um consumista além do necessário. No lusco-fusco da luz dispersa da cidade que entra pela janela sem cortinas, retiro de qualquer jeito o telefone do gancho. Alô... Só falta você adivinhar quem era. O próprio.
Tinha uma teoria revolucionária e originalíssima a respeito do crescimento da violência a partir da crise do setor aéreo. Ahhh...! Ãhram...!
Veja bem, é muito simples e eu sei que é meio tarde, mas prometo: só cinco minutinhos. Qual é o grande problema na crise do setor aéreo? O controle do tráfego aéreo, não é? Pois é. E quem controla o trafego aéreo? Os tais controladores de vôo. Até aí tudo bem. Acontece que, em si, controle não é nada, depende sempre de um ou mais indivíduos no estabelecimento de suas funções ou, no plano tecnológico, na especificação e desenvolvimento de certa autonomia. Não é isso? Muito bem. Ocorre que, certamente você já leu Deleuze sobre a sociedade do controle, pois é, esse momento de transição da sociedade da disciplina para a do controle coincide com a dita crise aérea. Ora, cadê a disciplina dos controladores. Enquanto houve disciplina não se ouviu falar em crise, não é mesmo? Será que...
Já termino, não posso perder a linha de raciocínio. É isso, nem só disciplina e nem só controle, tem de haver sensibilidade humana. Percebe onde quero chegar? Disciplina e controle no tráfego, no fluxo, seja lá do que, não significa rigidez cadavérica. A sensibilidade é contingente, considera o entorno, a trajetória, não se presta ao conceito de produto. Você não acha que em metáfora de vôo, a exacerbação do controle na sociedade significa, cada vez mais, essas balas que interceptam vôos tenros?
Eih...! Alô...! Aaaalô...! Dormiu...?!
Roberto Bittencourt
Umas três da matina, final de maio, toca o telefone. Levanto, puro pavor, ‘um frio dos inferno’, como diria Gilbertão, casa de madeira, vou até a sala, que, pra mim, celular é coisa de que não preciso e também não sou um consumista além do necessário. No lusco-fusco da luz dispersa da cidade que entra pela janela sem cortinas, retiro de qualquer jeito o telefone do gancho. Alô... Só falta você adivinhar quem era. O próprio.
Tinha uma teoria revolucionária e originalíssima a respeito do crescimento da violência a partir da crise do setor aéreo. Ahhh...! Ãhram...!
Veja bem, é muito simples e eu sei que é meio tarde, mas prometo: só cinco minutinhos. Qual é o grande problema na crise do setor aéreo? O controle do tráfego aéreo, não é? Pois é. E quem controla o trafego aéreo? Os tais controladores de vôo. Até aí tudo bem. Acontece que, em si, controle não é nada, depende sempre de um ou mais indivíduos no estabelecimento de suas funções ou, no plano tecnológico, na especificação e desenvolvimento de certa autonomia. Não é isso? Muito bem. Ocorre que, certamente você já leu Deleuze sobre a sociedade do controle, pois é, esse momento de transição da sociedade da disciplina para a do controle coincide com a dita crise aérea. Ora, cadê a disciplina dos controladores. Enquanto houve disciplina não se ouviu falar em crise, não é mesmo? Será que...
Já termino, não posso perder a linha de raciocínio. É isso, nem só disciplina e nem só controle, tem de haver sensibilidade humana. Percebe onde quero chegar? Disciplina e controle no tráfego, no fluxo, seja lá do que, não significa rigidez cadavérica. A sensibilidade é contingente, considera o entorno, a trajetória, não se presta ao conceito de produto. Você não acha que em metáfora de vôo, a exacerbação do controle na sociedade significa, cada vez mais, essas balas que interceptam vôos tenros?
Eih...! Alô...! Aaaalô...! Dormiu...?!
Roberto Bittencourt
Poema pomes
Ante a solidão inexata
sem destino destravam-se ao futuro
células de corpo pó ao
sopro e trato de tempo sem dó.
Beijo e bocejo plástico
trazidos das dobras do verso
atinam tino, brotam brotos e
o vaso sobre a palidez da fórmica.
Custa medo o sentido
muro, manhã cedo, assoviar canção
de taipa, tapar de tripa trilha
que leva só ao espetáculo.
Ordem ardor aplauso
caos de flâmula e fórmula
opinião suspensa e festiva na cal
da praça da Paz Celestial.
Mãos sobre mesa e
cidade roucas de esperança
verdejante, século de outras tormentas
embalam profundo e adjacente.
Tabuleiro e mesa de
prostíbulo, caixão mantimento,
assoalho palco, passarela ela passa
palavra se fez, que se faz, que se faça.
Salve tropeço, pedaço
de carroça, exercício olho cada poça
sem traço, cadeia cheia
e a vida nos Estados Unidos.
Tomada fotográfica
válida vinda da universidade bebida
em taça e luz de poste cheia voam
matemáticos e físicos num alvoroço.
Roberto Bittencourt
Ante a solidão inexata
sem destino destravam-se ao futuro
células de corpo pó ao
sopro e trato de tempo sem dó.
Beijo e bocejo plástico
trazidos das dobras do verso
atinam tino, brotam brotos e
o vaso sobre a palidez da fórmica.
Custa medo o sentido
muro, manhã cedo, assoviar canção
de taipa, tapar de tripa trilha
que leva só ao espetáculo.
Ordem ardor aplauso
caos de flâmula e fórmula
opinião suspensa e festiva na cal
da praça da Paz Celestial.
Mãos sobre mesa e
cidade roucas de esperança
verdejante, século de outras tormentas
embalam profundo e adjacente.
Tabuleiro e mesa de
prostíbulo, caixão mantimento,
assoalho palco, passarela ela passa
palavra se fez, que se faz, que se faça.
Salve tropeço, pedaço
de carroça, exercício olho cada poça
sem traço, cadeia cheia
e a vida nos Estados Unidos.
Tomada fotográfica
válida vinda da universidade bebida
em taça e luz de poste cheia voam
matemáticos e físicos num alvoroço.
Roberto Bittencourt
quarta-feira, junho 20, 2007
terça-feira, junho 19, 2007
quarta-feira, junho 13, 2007
segunda-feira, junho 11, 2007
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